06 dezembro 2016

Plano de leituras 2017


The House Maid, Paxton, William McGregor 1910


SAGRADA ESPERANÇA (Literatura angolana) JAN-MAR

28 Jan - “Luuanda”, de Luandino Vieira
25 Fev - “O Vendedor de Passados”, de José Eduardo Agualusa
25 Mar - “Quantas Madrugadas Tem a Noite”, de Ondjaki

EROS PASSEANDO PELA BRISA DA TARDE ABRIL-JUN

29 Abr - “Ronda das Mil Belas em Frol”, de Mário de Carvalho
27 Mai - “Novelas Eróticas”, de Manuel Teixeira-Gomes
24 Jun - “Elogio da Madrasta”, de Mário Vargas Llosa

CONTEMPORÂNEOS PORTUGUESES JUL-SET

29 Jul - “Cântico Final”, de Vergílio Ferreira
26 Ago - “O Meu Mundo Não é Deste Reino”, de João de Melo
30 Set - “Adoecer”, de Hélia Correia

ELEMENTAR, MEU CARO WATSON (policial) OUT-DEZ

28 Out - “Aventuras de Sherlock Holmes”, de Arthur Connan Doyle
25 Nov - “Um Crime Capital”, de Francisco José Viegas
30 Dez – “Maigret nas Termas”, de George Simenon

02 dezembro 2016

"Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector - 17 de Dezembro às 15h00


Não a abrir, mas um pouco mais adiante:

" ... — usaria brincos? hesitou, pois queria orelhas apenas delicadas e simples, alguma coisa modestamente nua, hesitou mais: riqueza ainda maior seria a de esconder com os cabelos as orelhas de corça e torná-las secretas, mas não resistiu: descobriu-as, esticando os cabelos para trás das orelhas incongruentes e pálidas: rainha egípcia? não, toda ornada como as mulheres bíblicas, e havia também algo em seus olhos pintados que dizia com melancolia: decifra-me, meu amor, ou serei obrigada a devorar, e
agora pronta, vestida, o mais bonita quanto poderia chegar a sê-lo, vinha novamente a dúvida de ir ou não ao encontro com Ulisses — pronta, de braços pendentes, pensativa, iria ou não ao encontro? ..."

in "Uma Aprendizagem ou O Livro dos Prazeres" de Clarice Lispector

24 novembro 2016

LEITURAS DE 2017

Para que saibam, ó incautos leitores, o plano de leituras para 2017 está em gestação. Sugestões de um lado, palpites de outro, e a coisa vai avançando, ainda com lista provisória. Livros de 500 páginas não serão permitidos, os olhos agradecem. Teremos um trimestre dedicado à literatura angolana, outro à literatura erótica... Consta perspectivarem-se algumas ausências à sessão do próximo sábado: importantes colóquios, deveres profissionais e outras razões atendíveis. Quem faltar que depois não se queixe. Além de perder a discussão de um belo livro - Vidas Secas, de Graciliano Ramos - vai deixar, talvez, de poder indicar o livro que gostaria de ver discutido no próximo ano. Até sábado! 



17 novembro 2016

MORTE E VIDA SEVERINA


Ontem, lendo as primeiras narrativas de Vidas Secas, lembrei-me de Morte e Vida Severina (1955), de João Cabral de Melo Neto, texto muito lido e comentado nos meus círculos juvenis de finais de sessenta. O exemplar aí em cima foi comprado no Centro do Livro Brasileiro – R. Rodrigues Sampaio, 30-B, Telef. 46470, Lisboa –, conforme etiqueta colada na última página. “Auto de natal pernambucano”, assim se diz em subtítulo. Na verdade, a história de um retirante em direcção ao Recife, acossado pela miséria e a fome – uma “vida seca”.

Somos muitos Severinos
iguais em tudo e na sina:
a de abrandar estas pedras
suando-se muito em cima,
a de tentar despertar
terra sempre mais extinta,
a de querer arrancar
algum roçado da cinza.

08 novembro 2016

"Vidas Secas" de Graciliano Ramos - 26 de Novembro às 15h00


A abrir:

" NA PLANICIE avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala.
Arrastaram-se para la, devagar, Sinha Vitoria com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aio a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão.
- Anda, condenado do diabo, gritou-lhe o pai.
Não obtendo resultado, fustigou-o com a bainha da faca de ponta. Mas o pequeno esperneou acuado, depois sossegou, deitou-se, fechou os olhos. Fabiano ainda lhe deu algumas pancadas e esperou que ele se levantasse. Como isto não acontecesse, espiou os quatro cantos, zangado, praguejando baixo.
A catinga estendia-se, de um vermelho indeciso salpicado de manchas brancas que eram ossadas.
O voo negro dos urubus fazia círculos altos em redor de bichos moribundos.
- Anda, excomungado.
O pirralho não se mexeu, e Fabiano desejou mata-lo. Tinha o coração grosso, queria responsabilizar alguém pela sua desgraça. A seca aparecia-lhe como um fato necessário - e a obstinação da criança irritava-o. Certamente esse obstáculo miúdo não era culpado, mas dificultava a marcha, e o vaqueiro precisava chegar, não sabia onde.
Tinham deixado os caminhos, cheios de espinho e seixos, fazia horas que pisavam a margem do rio, a lama seca e rachada que escaldava os pés.
Pelo espírito atribulado do sertanejo passou a ideia de abandonar o filho naquele descampado. Pensou nos urubus, nas ossadas, cocou a barba ruiva e suja, irresoluto, examinou os arredores. Sinha Vitoria estirou o beiço indicando vagamente uma direção e afirmou com alguns sons guturais que estavam perto. Fabiano meteu a faca na bainha, guardou-a no cinturão, acocorou-se, pegou no pulso do menino, que se encolhia, os joelhos encostados no estômago, frio como um defunto. Aí a cólera desapareceu e Fabiano teve pena. Impossível abandonar o anjinho aos bichos do mato. Entregou a espingarda a Sinha Vitoria, pôs o filho no cangote, levantou-se, agarrou os bracinhos que lhe caiam sobre o peito, moles, finos como cambitos. Sinha Vitoria aprovou esse arranjo, lançou de novo a interjeição gutural, designou os juazeiros invisíveis.
E a viagem prosseguiu, mais lenta, mais arrastada, num silencio grande..."

in "Vidas Secas" de Graciliano Ramos, Capítulo I 

03 outubro 2016

“Budapeste”, de Chico Buarque – 5 de Novembro às 15h00


A abrir

“Devia ser proibido debochar de quem se aventura em língua estrangeira. Certa manhã ao deixar o metrô, por engano numa estação azul igual à dela, com um nome semelhante à estação da casa dela, telefonei da rua e disse: aí estou chegando quase. Desconfiei na mesma hora que tinha falado besteira, porque a professora me pediu para repetir a sentença. Aí estou chegando quase … havia provavelmente algum problema com a palavra quase. Só que, em vez de apontar o erro, ela me fez repeti-lo, repeti-lo, depois caiu numa gargalhada que me levou a bater o fone. Ao me ver à sua porta teve novo acesso, e quanto mais prendia o riso na boca, mais se sacudia de rir com o corpo inteiro. Disse enfim ter entendido que eu chegaria pouco a pouco, primeiro o nariz, depois uma orelha, depois um joelho, e a piada nem tinha essa graça toda…”


In “Budapeste” de Chico Buarque

29 setembro 2016

BEETHOVEN NO TERREIRO DO PAÇO*

Euterpe, musa da música, por FRANÇOIS BOUCHER
 
Indicação da nossa colega Cristina Mora, estudo crítico das sinfonias de Beethoven:


* Concertos "Integral das Sinfonias de Beethoven", de 28 de Setembro a 1 de Outubro, Orquestra Metropolitana de Lisboa, maestro Pedro Amaral. 21:30 no Terreiro do Paço.

24 setembro 2016

A poesia, na sessão de hoje...


"Imensidão", Gustave Courbet, 1869


No Hay Muerte ni Principios

No hay muerte ni principios.
Sólo hay un mar donde estuvimos y estaremos,
un mar de peces que son como nosotros,
que vuelan cuando nacen,
que se hunden cuando mueren;
peces voladores
que saltan a la luz
sin llegar a ser ángeles.
Sólo hay un mar
y los alegres saltos de la vida.
Esta curva en el aire,
tan lenta a veces,
sobre ese mar tan codicioso,
no es un arco iris
después de la tormenta,
no es un puente
por donde pueda pasar nadie.

Nuestra vida dibuja
su ascensión y descenso
sobre ese mar humano,
donde la humanidad
realmente vive.
No hay muerte ni principios.
Sólo hay un árbol grande
que sacude sus hojas
para nutrirse de ellas
cuando caigan al suelo.

De Manuel Altolaguirre

Hoje pela mão da Cristina Mora, chegou-nos este poema lindíssimo do Manuel Altolaguirre...

20 setembro 2016

O "Whist"

"PLaying the whist", Boris Kustodiev, 1905

“ …Schwarz não descera. Esperava-o no patamar. Piotr Ivanovitch percebeu logo o que o retinha: queria combinar o local onde pudessem, mais tarde, jogar uma partida de whist…

…. Compreendeu que Schwartz pairava acima daquelas coisas, e não se entregava a impressões acabrunhantes. O simples aspecto dele dizia que o incidente do funeral de Ivan Ilitch não teria força bastante para alterar o a ordem dos acontecimentos, isto é, nada o impediria de pegar no baralho, à noite, e embaralhar as cartas, enquanto um criado colocava velas novas na mesa; em suma,  não havia motivos para supor que as exéquias iriam impedi-los de passar o serão agradavelmente, como sempre o faziam. E foi, aliás, o que ele sussurrou a Piotr Ivanovitch, convidando-o a participar numa partidinha em casa de Fiódor Vassílievitch.

Mas, segundo parece, o destino não traçara para  Piotr Ivanovitch, naquela noite, um jogo de cartas …”

... Na nova cidade, a vida de Ivan Ilitch também se organizou muito agradavelmente: a sociedade que se opunha discretamente ao governador era amável e coesa, o ordenado era mais alto, e iniciou-se no whist, mais uma fonte de prazer, pois era um jogador nato, sabendo enfrentar os riscos com bom humor, raciocinando com prontidão e esperteza as suas jogadas e, por tal, sempre bem feliz nos ganhos..."

in "A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi

01 setembro 2016

"A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi - 24 de Setembro às 15h00

A abrir

"No prédio do Tribunal, durante um intervalo do julgamento do caso Melvinsky, os membros da Corte e o promotor reuniram-se no gabinete de Ivan Yegorovich Shebek e a conversa recaiu sobre o famoso caso Krasovsky. Fiodr Vassily Evich insistia em que o caso não estava sob sua jurisdição, Ivan Yegorovich argumentava o contrário, enquanto Piotr Ivanovich, como não estava na discussão desde o início, não tomava o partido de ninguém, mas passava os olhos pelo Gazette, que tinham acabado de entregar.

– Senhores – exclamou. – Morreu Ivan Ilitch.
– Não é possível!
– Está aqui. Pode ler – disse Piotr Ivanovich, passando o jornal que ainda cheirava a tinta a Fiodr Vassilyevich.

Cercadas por uma borda preta, liam-se as seguintes palavras:

É com profundo pesar que Praskovya Fiodorovna participa a amigos e parentes a passagem de seu estimado esposo, Ivan Ilitch Golovin, membro da Corte Suprema, que deixou esta vida no dia 04 de Fevereiro do ano da graça de 1882. O enterro acontecerá na sexta-feira, à uma hora da tarde..."

in "A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi

31 agosto 2016

E a finalizar, o formato televisivo da "Margarita e o Mestre"



Ainda na sequência da última sessão e antes de avançarmos para o Leon, cá fica a Parte 1 da série russa. Legendas em inglês ou espanhol... 

30 agosto 2016

Ainda em tempo de "Margarita e o Mestre"

Ainda no rescaldo do romance de Agosto, algumas ilustrações interessantes que encontrei na net (não consigo colocar os links para os créditos das mesmas...)

09 agosto 2016

"Margarita e o Mestre", de Mikhail Bulgakov - 27 de Agosto às 15h00


Capítulo I

Nunca falem com desconhecidos

"Ao pôr do Sol de um dia de Primavera invulgarmente quente, apareceram, no lago do Patriarca, em Moscovo, dois cidadãos. Um deles vestindo um fato cinzento de Verão, era baixo, gordo, calvo. Trazia na mão o seu respeitável chapéu de abas largas e na cara bem barbeada usava uns óculos anormalmente grandes com aros pretos de tartaruga. O outro, um jovem de ombros largos, cabelos arruivados e revoltos, com um boné de xadrez puxado para a nuca, vestia uma camisa de cow-boy, calças brancas amarrotadas e sapatilhas pretas..."

in "Margarita e o Mestre", de Mikhail Bulgakov 

13 julho 2016

PIERRE DE RONSARD (1524-1585)

O poeta da Pléiade – autor dos Amours de Cassandre e de Marie, dos Sonnets pour Hélène – que inspirou Somerset Maugham naquela dedicatória num seu livro: Mignonne, allons voir si la rose (O Fio da Navalha, lembram-se?) e que agora vejo referido por Nabokov em Lolita (Primeira Parte, Capitulo 11). Isto anda tudo ligado...

Je te salue

Je te salue, ô merveillette fente
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
C'est toi qui fais que plus ne me tourmente
L'archer volant qui causait mes ennuis;
T'ayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
D'un poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour t'honnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!


 Traduza quem quiser, eu não arrisco.

06 julho 2016

"Lolita" de Vladimir Nabokov - 30 Julho às 15h00


A abrir

"Nasci em Paris, em 1910. O meu pai era pessoa branda e indolente, uma salada de genes rácicos: cidadão suíço de mista ascendência franco-austríaca, com umas gotas do Danúbio nas veias. Daqui a um instantinho mostrar-lhes-ei alguns deliciosos postais ilustrados, de um azul muito brilhante. Era dono de um luxuoso hotel da Riviera. O seu pai e dois avós tinham vendido vinho, jóias e seda, respectivamente. Aos trinta anos desposou uma jovem inglesa, filha de Jerome Dunn, o alpinista, e neta de dois párocos de Dorset, especialistas em assuntos obscuros - paleopedologia, um, e harpas eólicas, outro. A minha muito fotogênica mãe morreu num singular acidente (piquenique, faísca) quando eu tinha três anos e, exceptuando uma bolsa de cálida ternura no mais negro passado, nada subsiste dela nos vales e fissuras da memória, sobre os quais, se ainda podeis suportar o meu estilo (estou a escrever vigiado), o sol da minha infância deixou de brilhar: todos vós conheceis, certamente, esses fragrantes restos de dia suspensos, com os mosquitos, sobre alguma sebe em flor, ou subitamente penetrados e atravessados pelo caminhante, no sopé de um monte, no crepúsculo estival; um calor de velo macio, mosquitos dourados..."


In "Lolita" de Vladimir Nabokov

14 junho 2016

"O Fio da Navalha" de Somerset Maugham - 25 Junho - 15h00


“ …Sinto que é meu dever avisar o leitor de que pode perfeitamente saltar este capítulo sem correr o risco de perder o fio à história que tenho para contar, uma vez que a maior parte é nada mais do que o relato de uma conversa que tive com Larry. Devo acrescentar, no entanto, que se não fosse esta conversa talvez eu tivesse pensado que não valia a pena escrever este livro…”


In “O Fio da Navalha” de Somerset Maugham (Sexta parte – 1)

26 maio 2016

Moon River - Breakfast at Tiffany's



" ... Para além disso, ela tinha um gato e tocava viola. Nos dias em que o sol batia de chapa, lavava o cabelo e, acompanhada pelo gato, um maltês de listas vermelhas, sentava-se na escada de incêndio a dedilhar a viola enquanto secava a cabeça. Sempre que ouvia a música, punha-me à janela sem me fazer notar. Ela tocava muito bem e às vezes também cantava ..."

In "Breakfast at Tiffany's" de Truman Capote

Episódio integral do livro em cena (deliciosa) do filme...

25 maio 2016

A propósito das obsessões de Joe Bell



"Once again, we present Our Gal Sunday, the story of an orphan girl named Sunday from the little mining town of Silver Creek, Colorado, who in young womanhood married England's richest, most handsome lord, Lord Henry Brinthrope. The story that asks the question: Can this girl from the little mining town in the West find happiness as the wife of a wealthy and titled Englishman?"


Imagem e sinopse daqui.

"... Impossível mesmo, se não partilharmos as suas obsessões, sendo uma delas a Holly. Algumas das outras são: hóquei no gelo, cães Weimaraner, Our Girl Sunday, uma telenovela radiofónica que segue religiosamente há quinze anos, e Gilbert e Sullivan - garante ele que é parente de um deles, não me lembro qual..."

- As obsessões de Joe Bell, o dono do bar no "Breakfast at Tiffany's". -

Desde que lemos os folhetins de Pedro Camacho, a palavra radionovela aguça-me de imediato a curiosidade, vai daí ..... 




23 maio 2016

CICLO DE ENCONTROS COM ESCRITORES - NO EL CORTE INGLÉS

CARLOS QUERIDO com o livro Príncipe Perfeito - Rei Pelicano, Coruja e Falcão. 31 de Maio, terça-feira, às 19,00 horas, no restaurante do "El Corte Inglês", piso 7.
Evento facebook:

17 maio 2016

"Breakfast at Tiffany's"* de Truman Capote - 28 de Maio às 15h00


*Título em inglês no original 

Vamos lá então à história de Holly Golighly, personagem eternamente associada à maravilhosa Audrey Hepburn.


08 maio 2016

01 maio 2016

"O ADEUS ÀS ARMAS"

Dois desenhos do nosso novo companheiro MIGUEL REBELO oferecidos à Comunidade. E a discussão continuou depois da sessão. Se o subtítulo "O absurdo" poderia adequar-se ao romance, se estávamos perante um livro em forma de "Pentateuco", se as verdes colinas de África já se mostravam naquele tempo em Itália, se era uma história de amor ou um hino condenatório da guerra... Lá dizia o José Afonso "que não há só gaivotas em terra / quando um homem se põe a pensar". Neste caso, foram vários homens e uma mulher. Obrigado ao Miguel Rebelo e a todos.

28 abril 2016

STRESA e ISOLA BELLA

«Mas com Catherine quase não havia diferença entre ser noite ou ser dia, senão que a noite era ainda melhor.»
 

19 abril 2016

Amadeo de Souza Cardoso


Amadeo de Souza Cardoso, “A Casa de Manhufe”, 1913


Para quem não puder ir até Paris...
O artista na RTP 1, amanhã, 20 de Abril às 20h59, logo depois do jornal da noite.
Há coisas que valem a pena. E certamente esta será uma delas.
Mais informação aqui!

PS: Para alguns trará também a recordação de uma viagem memorável!

10 abril 2016

"O Adeus às Armas" de Ernest Hemingway - 30 de Abril às 15h00


Não a abrir, mas a fechar:

"... Mas depois de as ter posto fora do quarto, de ter fechado a porta e apagado a luz, vi que era inútil. Era como dizer adeus a uma estátua. Passado um momento saí, deixei o hospital e voltei ao hotel debaixo de chuva."

In "O Adeus às Armas" de Ernest Hemingway

Para chegar aqui, tenho que recuar 335 páginas no meu livro. Recuemos então ....

17 março 2016

A IMPRENSA PERIÓDICA NEO-REALISTA NOS SEUS PRIMÓRDIOS (2)

Primeiro número da revista Altitude (1939) de que FERNANDO NAMORA foi um dos fundadores e directores, juntamente com CORIOLANO FERREIRA, JOÃO JOSÉ COCHOFEL e JOAQUIM NAMORADO. Publicaram-se somente dois números. De FERNANDO NAMORA há um poema, Pintura, o excerto de um romance a que dava o título Salto Mortal, mas cujo texto veio a ser englobado em Fogo na Noite Escura, e uma "Página Inútil", publicada sob pseudónimo feminino, MARIANA CAMPOS, um pouco ao jeito das notas diarísticas de IRENE LISBOA e NATÁLIA NUNES nos seus começos.
-- Fonte: MÁRIO SACRAMENTO, Fernando Namora, Lisboa, Editora Arcádia - Colecção a Obra e o Homem, s/d.
 

16 março 2016

"Casa na Duna" de Carlos de Oliveira - 2 de Abril às 15h00


A abrir

"Na gândara há aldeolas ermas, esquecidas entre pinhais, no  fim do mundo. Nelas vivem homens semeando e colhendo, quando o estio poupa as espigas e o inverno não desaba em chuva e em lama. Porque então são ramagens torcidas, barrancos, solidão, naquelas terras pobres."

In "Casa na Duna" de Carlos de Oliveira

Amigos, porque o último sábado do mês de Março, está no fim-de-semana Pascal, avançamos excepcionalmente com a nossa sessão de leitura, para o dia 2 de Abril.

A IMPRENSA PERIÓDICA NEO-REALISTA NOS SEUS PRIMÓRDIOS (1)


Elemento decisivo na estruturação do aparelho cultural neo-realista, a imprensa periódica desempenhou um papel pleno de riscos e contrariedades.
Caso assinalável é o da revista Cadernos da Juventude (Coimbra, 1937), cujos exemplares do primeiro e único número (63 páginas) foram apreendidos ainda na tipografia e destruídos pelo fogo em auto-de-fé no pátio do Governo Civil de Coimbra.
Salvaram-se dois exemplares, o que permite conhecer o conteúdo da publicação. Palavras do prefácio: « Para nós, a juventude vale na medida em que possui a consciência da sua universalidade e a noção bem viva da sua posição no mundo como elemento essencial de fecunda transformação.» 
Um artigo assinado por Manuel Filipe, com o título “Considerações sobre a missão do intelectual e o problema da cultura”, centrava-se no ensaio La trahison des clercs, de Julien Benda, discutido naquela altura nos círculos restritos da vida cultural portuguesa. Benda defendia a independência política e a neutralidade partidária dos intelectuais, em desacordo, portanto, com o comprometimento militante dos escritores e artistas do neo-realismo nascente. «A concepção de Benda pretende prolongar, num mundo que já se descobriu contraditório, a memória duma estabilidade primordial à qual o homem teria unicamente de se acomodar», diz-se no artigo. Para os Cadernos, o artista, o escritor, o cientista e o filósofo não podem encerrar-se nas suas "torres de marfim", desvinculados do momento histórico, limitando-se a dizer: "O meu reino não é deste mundo."

--- Fontes: António Pedro Pita, Conflito e Unidade no Neo-Realismo Português e Luís Augusto Costa Dias, A Imprensa Periódica na Génese do Movimento Neo-Realista (1933-45).

11 março 2016

OS CAMINHOS QUE FAZEMOS

Desta feita, entre Lisboa, Vila Franca e Alhandra: com a visita ao  museu do Neo Realismo, pudemos inteirar-nos de factos, figuras e histórias ligadas ao Movimento, algumas delas desconhecidas ou de ligações insuspeitadas. Complementar as leituras de Redol e Pereira Gomes com esclarecimentos de locais, ambientes e contextos, foi, a todos os títulos, uma experiência inolvidável. Mais inolvidável ainda porque estes caminhos que fazemos -- das leituras, reflexão, questionamento, procura e descobertas, de tantas formas -- também estas das visitas, percursos e convívio, tudo isto fazemos em grupo, cultivando, imperceptivelmente, uma harmonia e uma riqueza espiritual que só a amizade concede.
Aqui ficam algumas imagens, para juntar a outras que já tinham sido partilhadas. Obrigada a todos.