24 setembro 2016

A poesia, na sessão de hoje...


"Imensidão", Gustave Courbet, 1869


No Hay Muerte ni Principios

No hay muerte ni principios.
Sólo hay un mar donde estuvimos y estaremos,
un mar de peces que son como nosotros,
que vuelan cuando nacen,
que se hunden cuando mueren;
peces voladores
que saltan a la luz
sin llegar a ser ángeles.
Sólo hay un mar
y los alegres saltos de la vida.
Esta curva en el aire,
tan lenta a veces,
sobre ese mar tan codicioso,
no es un arco iris
después de la tormenta,
no es un puente
por donde pueda pasar nadie.

Nuestra vida dibuja
su ascensión y descenso
sobre ese mar humano,
donde la humanidad
realmente vive.
No hay muerte ni principios.
Sólo hay un árbol grande
que sacude sus hojas
para nutrirse de ellas
cuando caigan al suelo.

De Manuel Altolaguirre

Hoje pela mão da Cristina Mora, chegou-nos este poema lindíssimo do Manuel Altolaguirre...

20 setembro 2016

O "Whist"

"PLaying the whist", Boris Kustodiev, 1905

“ …Schwarz não descera. Esperava-o no patamar. Piotr Ivanovitch percebeu logo o que o retinha: queria combinar o local onde pudessem, mais tarde, jogar uma partida de whist…

…. Compreendeu que Schwartz pairava acima daquelas coisas, e não se entregava a impressões acabrunhantes. O simples aspecto dele dizia que o incidente do funeral de Ivan Ilitch não teria força bastante para alterar o a ordem dos acontecimentos, isto é, nada o impediria de pegar no baralho, à noite, e embaralhar as cartas, enquanto um criado colocava velas novas na mesa; em suma,  não havia motivos para supor que as exéquias iriam impedi-los de passar o serão agradavelmente, como sempre o faziam. E foi, aliás, o que ele sussurrou a Piotr Ivanovitch, convidando-o a participar numa partidinha em casa de Fiódor Vassílievitch.

Mas, segundo parece, o destino não traçara para  Piotr Ivanovitch, naquela noite, um jogo de cartas …”

... Na nova cidade, a vida de Ivan Ilitch também se organizou muito agradavelmente: a sociedade que se opunha discretamente ao governador era amável e coesa, o ordenado era mais alto, e iniciou-se no whist, mais uma fonte de prazer, pois era um jogador nato, sabendo enfrentar os riscos com bom humor, raciocinando com prontidão e esperteza as suas jogadas e, por tal, sempre bem feliz nos ganhos..."

in "A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi

01 setembro 2016

"A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi - 24 de Setembro às 15h00

A abrir

"No prédio do Tribunal, durante um intervalo do julgamento do caso Melvinsky, os membros da Corte e o promotor reuniram-se no gabinete de Ivan Yegorovich Shebek e a conversa recaiu sobre o famoso caso Krasovsky. Fiodr Vassily Evich insistia em que o caso não estava sob sua jurisdição, Ivan Yegorovich argumentava o contrário, enquanto Piotr Ivanovich, como não estava na discussão desde o início, não tomava o partido de ninguém, mas passava os olhos pelo Gazette, que tinham acabado de entregar.

– Senhores – exclamou. – Morreu Ivan Ilitch.
– Não é possível!
– Está aqui. Pode ler – disse Piotr Ivanovich, passando o jornal que ainda cheirava a tinta a Fiodr Vassilyevich.

Cercadas por uma borda preta, liam-se as seguintes palavras:

É com profundo pesar que Praskovya Fiodorovna participa a amigos e parentes a passagem de seu estimado esposo, Ivan Ilitch Golovin, membro da Corte Suprema, que deixou esta vida no dia 04 de Fevereiro do ano da graça de 1882. O enterro acontecerá na sexta-feira, à uma hora da tarde..."

in "A Morte de Ivan Ilitch" de Leon Tolstoi

31 agosto 2016

E a finalizar, o formato televisivo da "Margarita e o Mestre"



Ainda na sequência da última sessão e antes de avançarmos para o Leon, cá fica a Parte 1 da série russa. Legendas em inglês ou espanhol... 

30 agosto 2016

Ainda em tempo de "Margarita e o Mestre"

Ainda no rescaldo do romance de Agosto, algumas ilustrações interessantes que encontrei na net (não consigo colocar os links para os créditos das mesmas...)

09 agosto 2016

"Margarita e o Mestre", de Mikhail Bulgakov - 27 de Agosto às 15h00


Capítulo I

Nunca falem com desconhecidos

"Ao pôr do Sol de um dia de Primavera invulgarmente quente, apareceram, no lago do Patriarca, em Moscovo, dois cidadãos. Um deles vestindo um fato cinzento de Verão, era baixo, gordo, calvo. Trazia na mão o seu respeitável chapéu de abas largas e na cara bem barbeada usava uns óculos anormalmente grandes com aros pretos de tartaruga. O outro, um jovem de ombros largos, cabelos arruivados e revoltos, com um boné de xadrez puxado para a nuca, vestia uma camisa de cow-boy, calças brancas amarrotadas e sapatilhas pretas..."

in "Margarita e o Mestre", de Mikhail Bulgakov 

13 julho 2016

PIERRE DE RONSARD (1524-1585)

O poeta da Pléiade – autor dos Amours de Cassandre e de Marie, dos Sonnets pour Hélène – que inspirou Somerset Maugham naquela dedicatória num seu livro: Mignonne, allons voir si la rose (O Fio da Navalha, lembram-se?) e que agora vejo referido por Nabokov em Lolita (Primeira Parte, Capitulo 11). Isto anda tudo ligado...

Je te salue

Je te salue, ô merveillette fente
Qui vivement entre ces flancs reluis;
Je te salue, ô bienheuré pertuis,
Qui rend ma vie heureusement contente!
C'est toi qui fais que plus ne me tourmente
L'archer volant qui causait mes ennuis;
T'ayant tenu seulement quatre nuits,
Je sens ma force en moi déjà plus lente.
Ô petit trou, trou mignard, trou velu,
D'un poil follet mollement crêpelu,
Qui à ton gré domptes les plus rebelles:
Tous verts galants devraient, pour t'honnorer,
À beaux genoux te venir adorer,
Tenant au poing leurs flambantes chandelles!


 Traduza quem quiser, eu não arrisco.

06 julho 2016

"Lolita" de Vladimir Nabokov - 30 Julho às 15h00


A abrir

"Nasci em Paris, em 1910. O meu pai era pessoa branda e indolente, uma salada de genes rácicos: cidadão suíço de mista ascendência franco-austríaca, com umas gotas do Danúbio nas veias. Daqui a um instantinho mostrar-lhes-ei alguns deliciosos postais ilustrados, de um azul muito brilhante. Era dono de um luxuoso hotel da Riviera. O seu pai e dois avós tinham vendido vinho, jóias e seda, respectivamente. Aos trinta anos desposou uma jovem inglesa, filha de Jerome Dunn, o alpinista, e neta de dois párocos de Dorset, especialistas em assuntos obscuros - paleopedologia, um, e harpas eólicas, outro. A minha muito fotogênica mãe morreu num singular acidente (piquenique, faísca) quando eu tinha três anos e, exceptuando uma bolsa de cálida ternura no mais negro passado, nada subsiste dela nos vales e fissuras da memória, sobre os quais, se ainda podeis suportar o meu estilo (estou a escrever vigiado), o sol da minha infância deixou de brilhar: todos vós conheceis, certamente, esses fragrantes restos de dia suspensos, com os mosquitos, sobre alguma sebe em flor, ou subitamente penetrados e atravessados pelo caminhante, no sopé de um monte, no crepúsculo estival; um calor de velo macio, mosquitos dourados..."


In "Lolita" de Vladimir Nabokov

14 junho 2016

"O Fio da Navalha" de Somerset Maugham - 25 Junho - 15h00


“ …Sinto que é meu dever avisar o leitor de que pode perfeitamente saltar este capítulo sem correr o risco de perder o fio à história que tenho para contar, uma vez que a maior parte é nada mais do que o relato de uma conversa que tive com Larry. Devo acrescentar, no entanto, que se não fosse esta conversa talvez eu tivesse pensado que não valia a pena escrever este livro…”


In “O Fio da Navalha” de Somerset Maugham (Sexta parte – 1)

26 maio 2016

Moon River - Breakfast at Tiffany's



" ... Para além disso, ela tinha um gato e tocava viola. Nos dias em que o sol batia de chapa, lavava o cabelo e, acompanhada pelo gato, um maltês de listas vermelhas, sentava-se na escada de incêndio a dedilhar a viola enquanto secava a cabeça. Sempre que ouvia a música, punha-me à janela sem me fazer notar. Ela tocava muito bem e às vezes também cantava ..."

In "Breakfast at Tiffany's" de Truman Capote

Episódio integral do livro em cena (deliciosa) do filme...

25 maio 2016

A propósito das obsessões de Joe Bell



"Once again, we present Our Gal Sunday, the story of an orphan girl named Sunday from the little mining town of Silver Creek, Colorado, who in young womanhood married England's richest, most handsome lord, Lord Henry Brinthrope. The story that asks the question: Can this girl from the little mining town in the West find happiness as the wife of a wealthy and titled Englishman?"


Imagem e sinopse daqui.

"... Impossível mesmo, se não partilharmos as suas obsessões, sendo uma delas a Holly. Algumas das outras são: hóquei no gelo, cães Weimaraner, Our Girl Sunday, uma telenovela radiofónica que segue religiosamente há quinze anos, e Gilbert e Sullivan - garante ele que é parente de um deles, não me lembro qual..."

- As obsessões de Joe Bell, o dono do bar no "Breakfast at Tiffany's". -

Desde que lemos os folhetins de Pedro Camacho, a palavra radionovela aguça-me de imediato a curiosidade, vai daí ..... 




23 maio 2016

CICLO DE ENCONTROS COM ESCRITORES - NO EL CORTE INGLÉS

CARLOS QUERIDO com o livro Príncipe Perfeito - Rei Pelicano, Coruja e Falcão. 31 de Maio, terça-feira, às 19,00 horas, no restaurante do "El Corte Inglês", piso 7.
Evento facebook:

17 maio 2016

"Breakfast at Tiffany's"* de Truman Capote - 28 de Maio às 15h00


*Título em inglês no original 

Vamos lá então à história de Holly Golighly, personagem eternamente associada à maravilhosa Audrey Hepburn.


08 maio 2016

01 maio 2016

"O ADEUS ÀS ARMAS"

Dois desenhos do nosso novo companheiro MIGUEL REBELO oferecidos à Comunidade. E a discussão continuou depois da sessão. Se o subtítulo "O absurdo" poderia adequar-se ao romance, se estávamos perante um livro em forma de "Pentateuco", se as verdes colinas de África já se mostravam naquele tempo em Itália, se era uma história de amor ou um hino condenatório da guerra... Lá dizia o José Afonso "que não há só gaivotas em terra / quando um homem se põe a pensar". Neste caso, foram vários homens e uma mulher. Obrigado ao Miguel Rebelo e a todos.

28 abril 2016

STRESA e ISOLA BELLA

«Mas com Catherine quase não havia diferença entre ser noite ou ser dia, senão que a noite era ainda melhor.»
 

19 abril 2016

Amadeo de Souza Cardoso


Amadeo de Souza Cardoso, “A Casa de Manhufe”, 1913


Para quem não puder ir até Paris...
O artista na RTP 1, amanhã, 20 de Abril às 20h59, logo depois do jornal da noite.
Há coisas que valem a pena. E certamente esta será uma delas.
Mais informação aqui!

PS: Para alguns trará também a recordação de uma viagem memorável!

10 abril 2016

"O Adeus às Armas" de Ernest Hemingway - 30 de Abril às 15h00


Não a abrir, mas a fechar:

"... Mas depois de as ter posto fora do quarto, de ter fechado a porta e apagado a luz, vi que era inútil. Era como dizer adeus a uma estátua. Passado um momento saí, deixei o hospital e voltei ao hotel debaixo de chuva."

In "O Adeus às Armas" de Ernest Hemingway

Para chegar aqui, tenho que recuar 335 páginas no meu livro. Recuemos então ....

17 março 2016

A IMPRENSA PERIÓDICA NEO-REALISTA NOS SEUS PRIMÓRDIOS (2)

Primeiro número da revista Altitude (1939) de que FERNANDO NAMORA foi um dos fundadores e directores, juntamente com CORIOLANO FERREIRA, JOÃO JOSÉ COCHOFEL e JOAQUIM NAMORADO. Publicaram-se somente dois números. De FERNANDO NAMORA há um poema, Pintura, o excerto de um romance a que dava o título Salto Mortal, mas cujo texto veio a ser englobado em Fogo na Noite Escura, e uma "Página Inútil", publicada sob pseudónimo feminino, MARIANA CAMPOS, um pouco ao jeito das notas diarísticas de IRENE LISBOA e NATÁLIA NUNES nos seus começos.
-- Fonte: MÁRIO SACRAMENTO, Fernando Namora, Lisboa, Editora Arcádia - Colecção a Obra e o Homem, s/d.
 

16 março 2016

"Casa na Duna" de Carlos de Oliveira - 2 de Abril às 15h00


A abrir

"Na gândara há aldeolas ermas, esquecidas entre pinhais, no  fim do mundo. Nelas vivem homens semeando e colhendo, quando o estio poupa as espigas e o inverno não desaba em chuva e em lama. Porque então são ramagens torcidas, barrancos, solidão, naquelas terras pobres."

In "Casa na Duna" de Carlos de Oliveira

Amigos, porque o último sábado do mês de Março, está no fim-de-semana Pascal, avançamos excepcionalmente com a nossa sessão de leitura, para o dia 2 de Abril.

A IMPRENSA PERIÓDICA NEO-REALISTA NOS SEUS PRIMÓRDIOS (1)


Elemento decisivo na estruturação do aparelho cultural neo-realista, a imprensa periódica desempenhou um papel pleno de riscos e contrariedades.
Caso assinalável é o da revista Cadernos da Juventude (Coimbra, 1937), cujos exemplares do primeiro e único número (63 páginas) foram apreendidos ainda na tipografia e destruídos pelo fogo em auto-de-fé no pátio do Governo Civil de Coimbra.
Salvaram-se dois exemplares, o que permite conhecer o conteúdo da publicação. Palavras do prefácio: « Para nós, a juventude vale na medida em que possui a consciência da sua universalidade e a noção bem viva da sua posição no mundo como elemento essencial de fecunda transformação.» 
Um artigo assinado por Manuel Filipe, com o título “Considerações sobre a missão do intelectual e o problema da cultura”, centrava-se no ensaio La trahison des clercs, de Julien Benda, discutido naquela altura nos círculos restritos da vida cultural portuguesa. Benda defendia a independência política e a neutralidade partidária dos intelectuais, em desacordo, portanto, com o comprometimento militante dos escritores e artistas do neo-realismo nascente. «A concepção de Benda pretende prolongar, num mundo que já se descobriu contraditório, a memória duma estabilidade primordial à qual o homem teria unicamente de se acomodar», diz-se no artigo. Para os Cadernos, o artista, o escritor, o cientista e o filósofo não podem encerrar-se nas suas "torres de marfim", desvinculados do momento histórico, limitando-se a dizer: "O meu reino não é deste mundo."

--- Fontes: António Pedro Pita, Conflito e Unidade no Neo-Realismo Português e Luís Augusto Costa Dias, A Imprensa Periódica na Génese do Movimento Neo-Realista (1933-45).

11 março 2016

OS CAMINHOS QUE FAZEMOS

Desta feita, entre Lisboa, Vila Franca e Alhandra: com a visita ao  museu do Neo Realismo, pudemos inteirar-nos de factos, figuras e histórias ligadas ao Movimento, algumas delas desconhecidas ou de ligações insuspeitadas. Complementar as leituras de Redol e Pereira Gomes com esclarecimentos de locais, ambientes e contextos, foi, a todos os títulos, uma experiência inolvidável. Mais inolvidável ainda porque estes caminhos que fazemos -- das leituras, reflexão, questionamento, procura e descobertas, de tantas formas -- também estas das visitas, percursos e convívio, tudo isto fazemos em grupo, cultivando, imperceptivelmente, uma harmonia e uma riqueza espiritual que só a amizade concede.
Aqui ficam algumas imagens, para juntar a outras que já tinham sido partilhadas. Obrigada a todos.







26 fevereiro 2016

ALHANDRA (3)

Toponímia, memoração toponímica e imagens obtidas no museu: telhal com esteiros ao fundo (cerca de 1930, aquando da passagem de um zepelim) e amostra de tijolos.
=Fotos de 23 e 24-02-2016= 
 

25 fevereiro 2016

"ESTEIROS" E O CINEMA

Estes os filmes vistos pelos heróis de Esteiros na 3ª parte do romance, PRIMAVERA, capítulo 1. O primeiro, A Dama das Camélias (1937), dirigido por George Cuckor e interpretado por Greta Garbo e Robert Taylor; o segundo, um dos muitos protagonizados por Tim Mc Coy, Bulldog Courage (1935), que em Portugal terá recebido o título de “Cavaleiro sem Medo”.
Muito realista tudo o que é narrado sobre a forma como, naquela época, ocorria o espectáculo. As salas de reprise, tanto de Lisboa como da Província, passavam dois filmes por sessão, e a entrada estava condicionada a certas normas de indumentária. Gineto foi impedido de entrar por não trazer casaco, sendo salvo pela criança raquítica que lhe emprestou o seu. Por outro lado, os mais novos entravam sem pagar se acompanhados de um adulto, e daí os rogos de Cocas aos que iam chegando: «Deixe-me entrar consigo. Deixe.»
Por vezes, a emoção apoderava-se dos espectadores a ponto de confundirem a ficção com a realidade. Saguí, angustiado, gritava na sala: «Cuidado, Macacoy, que o gajo tá na esquina!».
Um capítulo belo e divertido sobre a grande fábrica de sonhos que é o Cinema.

24 fevereiro 2016

ALHANDRA (2)

«Moro numa casa de dois andares de janelas amplas, em que me debruço, horas e horas, a contemplar os horizontes e a resolver os problemas transcendentes do Espírito. Julgo que sou poeta.» --- Abertura de um conto publicado por Soeiro Pereira Gomes em O Diabo, nº 267, 4-11-1939 - Texto recolhido em "Obra Completa", Editorial «Avante!».
 
=Fotos de 23-02-2016=

23 fevereiro 2016

ALHANDRA (1)

 Alhandra e o rio vistos do mirante
A capela de Santa Alcamé - Senhora das Cheias. Margem esquerda do Tejo, na lezíria.
 
=Fotos de 23-02-2016=
 

Alteração das sessões mensais da Comunidade de Leitores!


Como já será do conhecimento de todos, devido a decisões de logística da CM de Cascais, não será possível assegurar na Biblioteca de S. Domingos de Rana, as nossas sessões habituais da última Sexta-feira de cada mês.


Por esse motivo, foi-nos oferecida a alternativa de nos reunirmos no último Sábado de cada mês, na Sala Polivante.

Em consequência, a próxima sessão da Comunidade de Leitores sobre o livro “Esteiros”, será já no dia 27 de Fevereiro, Sábado, às 15h00, na referida Sala Polivante da nossa Biblioteca.

Esperamos poder continuar a contar, com a presença de todos. 

Até lá…

01 fevereiro 2016

"Esteiros" de Soeiro Pereira Gomes - 27 Fevereiro às 15h00*



"Gineto, Gaitinhas, Malesso, Maquineta, tantos outros, são os operários-meninos dos telhais à beira dos esteiros do Tejo. Sujeitos à dureza do trabalho quando o conseguem arranjar, vadiando ou roubando para comer durante o resto do tempo, apesar de tudo - sonham." 


* Se é na Biblioteca de SDR ou não, logo se vê. O que sabemos é que lá estaremos, seja onde for!

30 janeiro 2016

GAIBÉUS E GAIBÉUAS

A primeira reunião da nossa Comunidade de Leitores teve lugar na biblioteca a 23 de Fevereiro de 2007. Quase há nove anos! E sempre foi assim, em cada última sexta-feira do mês, salvo pontuais alterações determinadas por feriados e pontes. 
Ontem, encontrámo-nos no restaurante “Flor do Bairro” da mui nobre freguesia de São Domingos de Rana. Assim teve de ser. Falámos de Gaibéus, de Alves Redol e do Neo-Realismo (Neorrealismo, segundo o Novo Acordo Ortográfico).
«Não há livro de instruções para salvar a vida; só a Literatura se aproxima desse imenso livro.» – disse Lídia Jorge, em 2014, no festival “Escritaria” de Penafiel. É por isso que não desistimos.  

21 janeiro 2016

IMPUREZA

Quando uma mulher tiver a sua menstruação, ficará impura durante sete dias. Quem tocar nela ficará impuro até à tarde. O lugar em que ela se deitar ou sentar, enquanto está impura, ficará impuro.
 
Levítico, 15,19 -20
 
«Aquele vai deitando o olho às curvas tostadas das pernas das mulheres, descompostas pelo poder dos troncos no lameiro.
Safo de fadigas, belisca-lhes com a vista o capitel das pernas. A saia de baixo de uma delas está rasgada e tem manchas de sangueira pisada.
O capataz afasta a vista e sente ganas de a mandar desferrar.
            – Ora o raio!...
Dá a volta na maracha para se afastar dela, mas o rancho descreve agora uma linha sinuosa, a procurar jeito ao trabalho, e a saia rasgada fica de novo à sua frente.
Já lhe parece que todas as saias de mulheres se rasgaram e têm manchas de sangueira pisada.»
 
Gaibéus, capitulo “Arroz à foice”